Em geral, palavras de um idioma não têm uma tradução literal em outro, seja porque não se encaixam na estrutura gramatical da língua, seja porque carregam aspectos culturais do país de origem, entre outros motivos. Neste artigo, analisamos alguns desses vocábulos, comparando exemplos em português sem equivalente direto no inglês, e vice-versa.
Do português para o inglês: saudade, cafuné e malandro
Saudade. Embora exista uma expressão equivalente, a palavra “saudade” (substantivo), como tal, não existe na língua inglesa. Em seu lugar, usamos o verbo “I miss…”, que tem o mesmo significado. Ex.: “Tenho saudade da minha esposa.” (“I miss my wife.”)
Cafuné. Não possui nenhum equivalente, sendo preciso explicar a ação completa (“to stroke someone’s hair”). No caso de um animal, usam-se termos como pelo (“fur”), pena (“feather”) ou pele (“skin”), já que animais não têm cabelo. Ex.: “Eu fiz cafuné no meu gato.” (“I stroked my cat’s fur.”)
Malandro. Também sem equivalente, embora existam palavras próximas, como “sly”, normalmente usada para descrever alguém esperto de um jeito negativo. Ex.: “Aquele vendedor é bem malandro, eu não compraria nada dele.” (“That salesman’s crazy sly, I wouldn’t buy anything from him.”)
Nota do autor: embora “crazy” normalmente signifique “maluco”, a palavra também pode indicar que algo é “muito” de um adjetivo. Neste caso, “bem malandro” vira “crazy sly”, já que “bem” representa “muito”. O mesmo acontece com outras palavras, como “pretty”, que normalmente significa “bonito(a)”.
Do inglês para o português: beeline, outdo e cringe
Beeline. Embora pareça à primeira vista, essa palavra não tem relação com abelhas. “To make a beeline for” significa essencialmente “correr até”, no sentido de pressa. Ex.: “I better make a beeline for the stop, or I’ll miss the bus.” (“É melhor eu correr até a parada, ou vou perder o ônibus.”)
Outdo. Tem muitas variações, como “outsmart”, e significa ser melhor do que alguém em algum aspecto. De certa forma, é um sinônimo de “better”. Ex.: “Damn it, he outdid me!” (“Droga, ele foi melhor do que eu!”)
Cringe. Embora tenha se popularizado recentemente como gíria de sentido semelhante, “to cringe” é um verbo que representa sentir forte vergonha alheia, normalmente acompanhada de uma expressão facial ou movimento físico de desgosto. Ex.: “I cringed when I saw them kiss.” (“Eu senti vergonha alheia quando os vi se beijar.”)
Quando usada como gíria, a palavra deixa de ser verbo e passa a ser adjetivo. Ex.: “Dude, that’s so cringe.” (“Cara, isso é tão vergonhoso.”)
Traduzir vai além de trocar palavras
Existem muitos outros exemplos, mas, para manter o artigo simples e conciso, cobrimos apenas três por língua. O importante é entender que traduzir vai muito além de substituir uma palavra por outra: cada língua tem expressões próprias que refletem sua cultura, seus costumes e a maneira como seus falantes enxergam determinadas situações.
“Aprender um novo idioma também significa compreender diferentes formas de expressar ideias, sentimentos e experiências.”
Palavras como “saudade” e “cafuné”, em português, e “beeline” e “cringe”, em inglês, mostram que certos significados são difíceis de transmitir em uma única palavra. Compreendê-los torna a comunicação entre diferentes culturas ainda mais rica.
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